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BOLSONARO VAI FUGIR?

Segundo a PF, Jair Bolsonaro foi o líder de uma organização criminosa que pretendeu reverter o resultado do pleito presidencial | Foto: Sergio Lima / AFP

Segundo a PF, Jair Bolsonaro foi o líder de uma organização criminosa que pretendeu reverter o resultado do pleito presidencial | Foto: Sergio Lima / AFP

Bolsonaro, o homem que mobilizou multidões com discursos inflamados sobre coragem e determinação, agora cogita buscar refúgio em uma embaixada? A ironia não poderia ser mais evidente. Aquele que se apresentava como símbolo de resistência, que prometia enfrentar o “sistema” a qualquer custo, agora, ao que parece, considera a proteção de muros diplomáticos diante das consequências de suas ações. Difícil de acreditar, mas é isso que estamos vendo.

E o que dizer das pessoas que confiaram em suas palavras? Cidadãos comuns, empresários, até idosos com mais de 80 anos, que passaram noites frias em frente a quartéis, acreditando estar defendendo algo maior, algo que valia o sacrifício. Estavam lá, sem proteção, sem garantia alguma, mas confiantes de que seguiam um propósito inspirado pelas palavras e ações de Bolsonaro. E agora? Qual é a resposta dele para essas pessoas? Estará ao lado delas na linha de frente ou escolherá se resguardar, seguro e distante?

A verdade é que cometemos um erro estratégico: entregamos a Bolsonaro uma procuração em branco. Ele a utiliza até hoje, justificando erros e decisões sob a justificativa de uma outorga que, para muitos, já deveria ter sido revogada. Bolsonaro acredita que ainda nos representa em qualquer ato ou palavra, respaldado no mandato simbólico que lhe concedemos. Talvez seja hora de apresentar a ele a carta de revogação dessa confiança.

Liderança é mais que discurso

A história recente mostra milhares de brasileiros que acreditaram em suas palavras, em suas ideias. Gente comum que largou suas casas, empregos e até o conforto da aposentadoria para “defender o Brasil”. E o que receberam em troca? Prisões em massa, processos judiciais e, para muitos, o abandono de quem prometeram seguir.

Agora, com indícios apontando para o envolvimento de Bolsonaro em uma suposta tentativa de golpe, mesmo que esses indícios ainda sejam debatíveis, a pergunta é: ele vai fugir ou vai enfrentar? O líder que recita “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32), agora hesita em provar sua própria verdade diante da Justiça?

O preço da coragem

Instigar empresários, cidadãos e idosos a lutarem por um ideal com o silêncio em frente a quartéis foi fácil. Esses cidadãos, sem poder político ou influência, enfrentaram frio, fome, humilhação e, no caso de muitos, a prisão. Mas e Bolsonaro? Enfrentar o sistema na cadeia por eles, isso não é uma opção?

Se Bolsonaro acredita ser vítima de perseguição, ele tem que enfrentar! Mostrar para o Brasil e para seus apoiadores que não teme as consequências. Fugir para uma embaixada ou buscar refúgio não é atitude de quem acredita no que prega. É o oposto disso.

Cadê o líder que prometeu lutar?

O Brasil está esperando o Bolsonaro que inspirou multidões, não o Bolsonaro que cogita sair pela porta dos fundos. Aquele que fez milhares chorarem ao lembrar do atentado que sofreu precisa mostrar que está disposto a pagar o preço por suas palavras, ideias e ações. Se ele acredita no que diz, não pode fugir. Tem que encarar o sistema, mesmo que isso signifique a prisão.

Aos apoiadores: você está pronto?

Você que está lendo este texto e se sentiu ofendido, pare e reflita. Você está disposto a ser preso por Bolsonaro? Se acha que ele está sendo injustiçado, por que não assume o lugar dele na cadeia? É esse o preço que milhares já estão pagando, acreditando nas palavras que ele repetiu por anos.

Mas Bolsonaro está disposto a fazer isso por você? Ele vai resistir até o fim ou vai buscar abrigo em uma embaixada, deixando para trás aqueles que o seguiram?

O discurso

O Brasil não precisa de discursos ensaiados, lágrimas de ocasião ou promessas vazias. Precisa de líderes dispostos a enfrentar as consequências, que demonstrem na prática a coragem que pregam no palanque. No momento mais difícil, quando a verdadeira liderança é posta à prova, Bolsonaro precisa responder: você é o mito que inspirou milhões ou será lembrado como o homem que fugiu quando a pressão aumentou?

Winston Churchill, em um dos momentos mais desafiadores da história, declarou com firmeza que o Reino Unido enfrentaria o nazismo onde fosse necessário — “lutaremos nas praias, lutaremos nos campos, lutaremos nas ruas; jamais nos renderemos.” Esse espírito de resistência não se limitava a palavras; era um compromisso com a nação e com o povo que acreditava nele. Onde está esse compromisso em Bolsonaro? É justo pedir que seus seguidores enfrentem as ruas e as consequências enquanto ele cogita refúgio em uma embaixada?

Aos que acreditam nele, reflitam: líderes enfrentam, não fogem. O Brasil espera que quem se apresenta como seu defensor esteja disposto a lutar até o fim, mesmo que isso custe sua liberdade. “Ou ficar com a pátria livre ou morrer pelo Brasil”. Esse é o verdadeiro teste de coragem.

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