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Ataque ao Pix no Brasil foi planejado há meses e envolveu suborno via Telegram

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Um sofisticado ataque hacker direcionado ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (Pix) foi arquitetado por meses e envolveu recrutamento interno por meio de grupos no Telegram, revelou relatório técnico obtido pelo TecMundo. A operação, considerada um dos maiores golpes cibernéticos da história brasileira, resultou no desvio de até R$ 1 bilhão de recursos mantidos pelo Banco Central .

Segundo a firma de cibersegurança ZenoX, não houve falha técnica nos sistemas, mas sim uma exploração aprimorada da chamada “cadeia de suprimentos digital”, que envolveu insiders — funcionários com acesso privilegiado às tesourarias do Banco Central e de bancos parceiros. O Telegram foi fundamental na fase de recrutamento, facilitando contatos com empregados dispostos a entregar senhas e chaves internas.

O relatório da ZenoX identificou quatro fatores que facilitaram o ataque:

  1. Falta de monitoramento estratégico do submundo financeiro.
  2. Confiança excessiva na segurança da cadeia de suprimentos.
  3. Cultura do silêncio no setor bancário, impedindo a troca de informações sobre fraudes.
  4. Ausência de inteligência centralizada capaz de identificar padrões entre diversos incidentes.

O planejamento incluiu propostas explícitas de fraude no Banco Central no Telegram desde maio, com promessas de suborno envolvendo valores astronômicos: R$ 30 milhões por participação. A remuneração estaria dividida entre R$ 5 milhões para intermediários e até R$ 25 milhões para funcionários de alto escalão.

A investigação da Polícia pegou um funcionário de TI da C&M Software, parceiro do BCB, identificado como João Nazareno Roque, de 48 anos, residente em Taipas (SP). Ele teria vendido o acesso por R$ 5 mil e, posteriormente, exigido mais R$ 10 mil para implantar o sistema de desvio automático. Roque trocava de celular semanalmente para evitar rastreamento.

De acordo com a ZenoX, o episódio não é isolado. Nas últimas semanas, ocorreram pelo menos três ataques menores a instituições financeiras, todos explorando a mesma fragilidade: a possibilidade de transferências de grandes valores por contas reserva. Em comum, estavam não falhas de software, mas sim lacunas processuais e operacionais.

Especialistas alertam que o ataque foi o resultado de um sofisticado esforço de fraude doméstica, com aspectos organizacionais similares aos dos grupos conhecidos como Lapsus e outros. Mas, ao contrário desses, os responsáveis não buscaram notoriedade, adicionando riscos adicionais à segurança nacional.

Fonte: TecMundo

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