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Cientistas projetam nave interstelar para uma jornada de 400 anos até Alpha Centauri

Um grupo internacional formado por arquitetos, engenheiros, antropólogos e urbanistas, ligados a instituições renomadas como a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e o MIT, organizou uma competição financiada pela organização sem fins lucrativos Iniciativa para Estudos Interestelares (i4is). O objetivo foi incentivar projetos inovadores voltados à exploração e colonização espacial.

O concurso, anunciado em 2024, integra o Project Hyperion, iniciativa dedicada ao desenvolvimento de conceitos para uma nave tripulada capaz de realizar viagens interestelares rumo a exoplanetas com potencial de colonização.

Segundo os organizadores, o desafio se inspira na ideia de uma “nave de geração” — um veículo espacial projetado para viagens que poderiam durar séculos. Nesse modelo, os tripulantes iniciais viveriam, teriam descendentes e morreriam dentro da nave, enquanto novas gerações dariam continuidade à missão. Para isso, a nave precisaria ser um ecossistema autossustentável, com agricultura, moradia, sistemas de suporte à vida e mecanismos de preservação cultural e tecnológica ao longo do tempo.

Critérios da competição

Os projetos deveriam prever:

O projeto vencedor: Chrysalis

O primeiro lugar foi conquistado por uma equipe italiana, com o projeto Chrysalis — uma nave modular colossal de 58 km de comprimento, planejada para transportar até 2.400 pessoas em uma viagem de 400 anos até o sistema Alpha Centauri, onde está localizado o Proxima Centauri b. Esse exoplaneta, situado a 4,2 anos-luz da Terra, está em zona habitável e pode abrigar água líquida, sendo considerado um dos mais promissores na busca por vida fora do Sistema Solar.

O júri destacou a coesão sistêmica do Chrysalis, a inovação no conceito de habitação modular e o nível de detalhamento do planejamento, que incluiu estimativas de custos e a preparação da tripulação em missões simuladas na Antártida.

Estrutura e funcionamento da nave

A nave é composta por camadas concêntricas de módulos, cada uma com funções específicas: produção de alimentos, recreação, moradia e até operações industriais. Os módulos seriam protegidos contra radiação e reproduziriam gravidade artificial por rotação.

O sistema de propulsão usaria fusão nuclear, com combustível à base de hélio-3 e deutério, garantindo eficiência energética e sustentabilidade.

A sociedade a bordo seria organizada em uma “sociocracia”, modelo que combina liderança humana e inteligência artificial, com a proposta de manter a estabilidade social e a continuidade do conhecimento ao longo dos séculos.

Imagens do projeto Chrysalis, vencedor da competição Project Hyperion.
Créditos: divulgação

Antes do lançamento, os futuros habitantes passariam por uma fase de adaptação de 70 anos em ambientes isolados, como a Antártida, para treinar a convivência e a gestão dos sistemas de bordo.

Apesar de ainda ser apenas uma concepção teórica, o Chrysalis superou propostas da Polônia (WFP Extreme) e da Índia (Systema Stellare Proximum), que ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

TecMundo/ Revista Planeta

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