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A Bíblia Católica e a Bíblia Evangélica: Saiba as diferenças e os livros ausentes

A Bíblia, considerada a palavra sagrada por milhões de cristãos ao redor do mundo, apresenta variações significativas entre as diferentes tradições cristãs. Uma das distinções mais notáveis ocorre entre a Bíblia utilizada pela Igreja Católica e aquela adotada por diversas denominações evangélicas. Essas diferenças não se limitam à tradução ou à interpretação dos textos, mas também à seleção dos livros que compõem o cânon bíblico.

O Cânon Bíblico: O que é e como varia?

O cânon bíblico refere-se à lista oficial de livros considerados sagrados e autoritativos por uma determinada comunidade religiosa. Enquanto o Novo Testamento é comum a ambas as tradições, o Antigo Testamento apresenta variações significativas. A Bíblia Católica contém 46 livros no Antigo Testamento, enquanto a versão evangélica possui 39. Essa diferença se deve à inclusão, na Bíblia Católica, de sete livros adicionais, conhecidos como deuterocanônicos, que não estão presentes na versão protestante.

Os Sete Livros Deuterocanônicos

Os livros deuterocanônicos, aceitos pela Igreja Católica, mas rejeitados por muitas denominações evangélicas, são:

  1. Tobias
  2. Judite
  3. Sabedoria de Salomão
  4. Eclesiástico (ou Sirácida)
  5. Baruc
  6. 1 Macabeus
  7. 2 Macabeus

Além desses, há acréscimos nos livros de Ester e Daniel que também são considerados deuterocanônicos pela Igreja Católica.

Razões para a Exclusão dos Deuterocanônicos pelos Evangélicos

A exclusão desses livros na tradição protestante remonta ao século XVI, durante a Reforma Protestante. Lutero e outros reformadores basearam-se no cânon hebraico, que não inclui os deuterocanônicos, para estabelecer a Bíblia protestante. Além disso, os reformadores questionaram a autenticidade e a inspiração divina desses livros, considerando-os apócrifos, ou seja, de origem duvidosa.

A Inclusão dos Deuterocanônicos na Bíblia Católica

A Igreja Católica, por outro lado, reconhece os deuterocanônicos como parte integrante da tradição cristã. Durante o Concílio de Trento (1545-1563), a Igreja reafirmou a canonicidade desses livros, baseando-se em sua aceitação histórica e em sua utilização nas primeiras comunidades cristãs. Além disso, a Igreja argumenta que a Tradição, juntamente com as Escrituras, é fonte de autoridade, e não apenas a Bíblia isoladamente.

Implicações Teológicas e Doutrinárias

As diferenças no cânon bíblico têm implicações significativas nas doutrinas e práticas das duas tradições. Por exemplo, o livro deuterocanônico deuterocanônico “Sabedoria de Salomão” contém passagens que influenciam a compreensão católica sobre a intercessão dos santos e a oração pelos mortos. Da mesma forma, o “Eclesiástico” oferece ensinamentos que reforçam a autoridade da tradição e da Igreja.

Por outro lado, a ausência desses livros na Bíblia protestante reflete uma ênfase na “sola scriptura”, a ideia de que a Bíblia é a única fonte de autoridade para a fé e a prática cristã.

As diferenças entre a Bíblia Católica e a Bíblia Evangélica não são apenas questões de número de livros, mas refletem abordagens teológicas distintas sobre autoridade, tradição e inspiração divina. Compreender essas diferenças é essencial para o diálogo ecumênico e para o respeito mútuo entre as diversas tradições cristãs.

Fonte: Blogs Canção Nova/ UOL Educação/ Centro White

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