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Dois pesos, duas medidas: Disney repete incoerência entre Jimmy Kimmel e Gina Carano

O cancelamento do programa de Jimmy Kimmel reacende um velho dilema dentro da Disney: até onde a empresa está disposta a tolerar opiniões políticas de seus contratados? Kimmel, que há anos dispara críticas contra políticos conservadores em seu talk show, enfrenta agora um movimento contrário, que exige sua saída da ABC. Mas, ao contrário de outros casos, sua posição parece intocável.

A comparação com Gina Carano é inevitável. A atriz foi demitida de The Mandalorian em 2021 após postagens consideradas polêmicas. Na época, a justificativa foi a de que suas falas iam contra os “valores” da companhia. Curiosamente, esses valores não parecem ter o mesmo peso quando se trata de Kimmel, cuja linha política é mais aceita dentro do ambiente cultural dominado pela Disney.

Divulgação: Lucasfilm/ Disney+

A contradição se torna ainda mais evidente ao lembrar da postura de Pedro Pascal. O ator, colega de elenco de Carano, não levantou a voz em defesa da parceira dispensada. Hoje, no entanto, aparece publicamente apoiando Kimmel contra pedidos de cancelamento. Essa seletividade no apoio evidencia que não se trata de princípios, mas de alinhamento ideológico.

A verdade é que a Disney se coloca como guardiã da diversidade e da pluralidade, mas aplica dois pesos e duas medidas quando o assunto é opinião política. Carano foi descartada sem cerimônia; Kimmel, protegido pela popularidade e pelo discurso que ecoa o establishment de Hollywood, continua firme no ar.

No fim, o problema não é só a “cultura do cancelamento”, mas o uso seletivo dela. A Disney não cancela por princípios, cancela por conveniência. E quando uma empresa escolhe quem pode falar e quem deve ser silenciado com base em cálculo político e comercial, sua credibilidade acaba custando muito mais caro do que qualquer polêmica.

Opinião baseada nas fontes: Game Reactor, Omelete, AP News

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