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Vacina do Butantan pode conter transmissão da dengue e diminuir sintomas, diz estudo

(Imagem: Shutterstock)

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Vacina da dengue do Butantan já foi aprovada pela Anvisa

A vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, pode frear a replicação do vírus da dengue e reduzir a transmissão. Além disso, o imunizante reduz complicações em casos de pacientes infectados e já se provou eficaz em diversos casos.

As conclusões fazem parte de um estudo publicado recentemente na The Lancet Regional Health – Americas, que demonstram a eficácia e segurança da vacina.

Vacina do Butantan pode frear replicação do vírus da dengue

A pesquisa foi feita com amostras de sangue de participantes do estudo clínico de fase 3 da própria vacina, que contou com mais de 16 mil voluntários de 14 Estados. Foram analisadas 365 amostras positivas para o vírus, com o objetivo de analisar a diversidade genética do patógeno e compará-la entre vacinados com a Butantan-DV e não vacinados.

Desse número, 160 amostras tiveram seu genoma completo sequenciado, o que permitiu criar uma “árvore genealógica” do vírus da dengue – e fazer descobertas importantes:

Uma das dúvidas que buscamos responder é se haveria alguma linhagem viral associada ao escape vacinal, ou seja, se a vacina estaria protegendo apenas contra algumas linhagens e deixando escapar outras. E vimos que isso não estava acontecendo. As cepas eram as mesmas nos dois grupos analisados.Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e autor do artigo

Com isso, o estudo concluiu que a vacina da dengue do Butantan é capaz de frear a replicação do vírus (os casos de “escape vacinal” citados por Nogueira).

Imunizante diminui sintomas e complicações

O estudo ainda descobriu que os pacientes imunizados com a Butantan-DV tiveram sintomas menos graves e menor risco de complicações. Como lembra a Agência Fapesp, a baixa carga viral está associada à redução no risco de transmissão do vírus para mosquitos.

Nogueira defende que a vacina diminui a circulação do vírus e ajuda a minimizar surtos da doença. No entanto, segundo ele, isso ainda precisa ser comprovado com mais estudos.

A pesquisa ainda analisou se o imunizante estaria exercendo uma pressão seletiva sobre o vírus – ou seja, favorecendo o surgimento de variantes capazes de driblar os anticorpos. O genoma sequenciado foi submetido a modelos computacionais que analisaram possíveis mutações.

Os dados mostraram que não houve diferença nas taxas de mutação entre vacinados e não vacinados. Nesse caso, a vacina não estaria favorecendo variantes raras ou perigosas que poderiam driblá-la.

Fonte: Olhar Digital

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