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Salve o Corinthians, o campeão dos campeões.

Fotos: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Fotos: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Poucas vezes um verso de hino foi tão simbólico para representar um momento. O Todo-Poderoso Timão, mais uma vez, mostrou por que sua história é escrita com raça, superação e, sobretudo, uma torcida que não abandona jamais.

O Corinthians é um clube cujo maior patrimônio não está apenas em troféus ou cifras, mas na força de sua torcida. Uma massa apaixonada, que empurra o time durante os noventa minutos, transforma a Neo Química Arena em um caldeirão e carrega no peito um orgulho que atravessa gerações. Ser corinthiano é resistir, é acreditar até o último segundo.

Por isso mesmo, os problemas extracampo entristecem. Causa perplexidade ver um clube capaz de conquistar um título diante do poderoso Flamengo, apresentando um futebol competitivo, intenso e organizado, conviver com tantas dificuldades financeiras e administrativas. A incongruência entre o que se faz dentro de campo e o que se vive fora dele é um alerta que não pode ser ignorado.

A decisão e o xadrez tático

Falando especificamente da grande decisão, é impossível não destacar como a soberba e a teimosia do técnico Filipe Luís acabaram favorecendo o Corinthians. O Flamengo apresentou um jogo previsível, sem profundidade pelos lados do campo. Os pontas, atuando com pernas trocadas — Carrascal e Plata —, insistiam em conduzir a bola para o meio, exatamente onde o Corinthians foi mais forte.

O meio-campo alvinegro se impôs com inteligência, intensidade e leitura de jogo. As linhas compactas dificultaram infiltrações e neutralizaram as principais ações ofensivas rubro-negras. Destaque absoluto para André e, sobretudo, para Bidon, que fez uma atuação de alto nível, combinando qualidade técnica, recomposição defensiva e personalidade em um jogo de grande pressão.

Do outro lado, Dorival Júnior foi decisivo. Ao optar por Raniele como um terceiro zagueiro pelo lado direito, desorganizou a própria estrutura defensiva e abriu um corredor vital. A consequência foi clara: Matheuzinho ganhou liberdade, espaço e confiança para fazer uma de suas melhores partidas com a camisa do Corinthians, sendo peça fundamental no equilíbrio entre defesa e ataque.

VAR: protagonista negativo

Outro ponto que não pode ser ignorado é a atuação do VAR. Em uma decisão desse porte, o mínimo esperado é consistência, agilidade e transparência. O que se viu foi o oposto: em momentos críticos, o VAR demorou excessivamente para agir ou simplesmente “sumiu” quando deveria intervir. O protagonismo negativo da arbitragem tecnológica mancha uma final que deveria ser lembrada apenas pelo futebol.

Olhar para frente

O título foi merecido, mas não pode ser um ponto de acomodação. O Corinthians tem um excelente time titular, competitivo e bem treinado, porém ainda conta com um elenco curto e, em alguns setores, mediano. No Campeonato Brasileiro, a regularidade será determinante, e isso exige planejamento, gestão responsável e atenção redobrada.

No fim das contas, porém, o futebol é feito de momentos — e este é do Corinthians. Levantar a taça é o que fica registrado na história. Que sirva de combustível para dias melhores dentro e fora de campo.

Vai, Corinthians. 🖤🤍

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