Um duelo com cara de final de Copa Intercontinental. Talvez essa seja a melhor definição do que se viu em Boston na derrota do Brasil para a França. A Seleção até teve seus momentos, mas em campo mostrou consciência das próprias limitações diante de um rival imponente, que controlou a maior parte do jogo com autoridade.
O confronto escancarou uma realidade: hoje, em um campeonato de pontos corridos, França ou Espanha largariam como favoritas ao título. Ainda assim, quando o assunto é Copa do Mundo — competição em que apenas o Brasil ostenta cinco estrelas — a esperança pelo hexa segue viva. E isso não é apenas discurso, é histórico.
As ausências pesaram. Marquinhos e Gabriel Magalhães fizeram falta no sistema defensivo, enquanto Bruno Guimarães seria peça importante ao lado de Casemiro, tanto na proteção quanto na saída de jogo. No ataque, a ausência de Estevão também foi sentida — sua canhota poderia ter sido um diferencial.
O jogo foi intenso, veloz, digno de alto nível internacional. E, nesse cenário, ficou difícil não notar que Neymar, embora craque indiscutível, não fez tanta falta quanto se imaginaria. Talento ele tem de sobra, mas precisa querer mais — porque, sem isso, sua presença deixa de ser decisiva.
E se por um lado o Brasil busca respostas, por outro foi um privilégio assistir a Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé juntos. Dois jogadores que representam o futebol moderno em sua essência: velocidade, técnica e objetividade.
A derrota dói, mas também ensina. E talvez esse seja o ponto mais importante.

