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A história das bolas oficiais da Copa do Mundo da FIFA

A FIFA relembrou a trajetória das bolas oficiais da Copa do Mundo e destacou a TRIONDA, apresentada como a bola oficial do Mundial de 2026, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México. O modelo foi revelado em outubro e passa a integrar uma lista de equipamentos que marcaram diferentes gerações do futebol.

A história das bolas da Copa começou em 1930, mas um dos episódios mais curiosos ocorreu na final daquele torneio, quando a Modelo T, primeira bola utilizada em uma Copa do Mundo, permaneceu em campo por apenas 45 minutos. Desde então, o torneio acompanhou uma série de inovações em design, materiais e desempenho.

A partir de 1970, a adidas tornou-se fornecedora oficial das bolas da Copa do Mundo. Modelos como Telstar, Tango, Azteca e Etrusco Unico ajudaram a construir a identidade visual e tecnológica do principal torneio do futebol mundial.

A TRIONDA mantém essa tradição de inovação. Desenvolvida com apenas quatro painéis e equipada com tecnologia de sensor integrado, a bola fornece dados em tempo real para auxiliar a arbitragem e os sistemas de vídeo, além de apresentar um design inspirado nos três países-sede da competição.

Além de representar um novo avanço tecnológico, a TRIONDA simboliza a continuidade da evolução das bolas oficiais da Copa do Mundo, que há quase um século acompanham alguns dos momentos mais marcantes da história do esporte.

Confira abaixo os modelos utilizados e as histórias até hoje:

Uruguai 1930: Modelo T

Batizada em homenagem às suas 11 tiras de couro costuradas à mão em forma de “T”, a Modelo T (foto acima) foi usada em alguns dos jogos da primeira Copa do Mundo, mas não em todos. Depois de ser utilizada nos Jogos Olímpicos de Paris 1924 e Amsterdã 1928, a Modelo T era considerada uma opção confiável.

Para a primeira edição da Copa do Mundo, o árbitro John Langenus pediu aos capitães de Uruguai e Argentina que escolhessem uma bola. O país-sede queria a Modelo T, e os adversários preferiam a Tiento (foto abaixo), composta por 12 painéis longos. Como não foi possível chegar a um acordo, ficou decidido que uma bola diferente seria usada em cada tempo de jogo. 

A Argentina foi para o intervalo ganhando por 2 a 1 com a Tiento, sua preferida, mas o Uruguai virou marcou três gols no segundo tempo com o Modelo T no gramado e se sagrou campeão por 4 a 2.


Itália 1934: Federale 102

A Federale 102 foi produzida por uma fabricante italiana, mas ao menos duas outras bolas foram usadas nos jogos do torneio, incluindo a final. Eram os capitães das equipes que escolhiam qual queriam usar.

Composta por 13 painéis de couro costurados à mão, a Federale 102 tinha como característica que a incisão para a câmara foi costurada com linha de algodão, em vez de couro, para deixar a bola mais confortável. 

As outras bolas utilizadas no torneio foram a Globe e a Zig-Zag, ambas fabricadas por empresas britânicas. A Zig-Zag, feita pela empresa William Sykes em estilo semelhante à Modelo T de 1930, foi escolhida para a final, quando a Itália, dona da casa, derrotou a Tchecoslováquia por 2 a 1 na prorrogação.


França 1938: Allen

Como aconteceria com todas as bolas oficiais da Copa do Mundo entre 1934 e 1966, a Allen era fabricada no país-sede ― neste caso, em Paris.

As bolas Allen usadas nos jogos não tinham nenhuma marca comercial, mas uma bola com o nome da empresa foi colocada no círculo central antes da final para ajudar a promover e divulgar o fabricante.

Com um design parecido com o da Federale 102, com 13 painéis e linha de algodão, a Allen foi outra bola da Copa do Mundo a ter um passado olímpico, já que havia sido usada nos Jogos de Paris em 1924.


Brasil 1950: Superball Duplo T

Apesar de conter as palavras “Indústria brasileira”, a Superball Duplo T foi originalmente patenteada pela empresa argentina Tossolini, Valbonesi, Polo & Cia, que a batizou de Superval Doble T.

Mas, ao abrir uma filial no Brasil após a Segunda Guerra Mundial, a fábrica se tornou a fornecedora oficial da bola da Copa do Mundo, que foi remodelada como a Superball Duplo T, após pequenas mudanças.

Foi a primeira bola da Copa do Mundo sem cadarços, inflada por uma válvula inserida diretamente em uma das 12 tiras de couro idênticas, costuradas à mão, o que proporcionava uma superfície mais uniforme, redonda e vedada. As bordas arredondadas dos painéis, mais leves, proporcionavam mais durabilidade e estabilidade, já que a costura recebeu proteção extra. 


Suíça 1954: Swiss World Champion

Feita com couro curtido, a Swiss World Champion manteve uma cor ligeiramente amarelada, o que facilitava que os torcedores a acompanhassem melhor do que as anteriores bolas marrom-escuro.

Essa característica foi particularmente útil nas condições chuvosas e lamacentas da final de 1954, quando a Alemanha Ocidental venceu a favorita Hungria por 3 a 2. Como as bolas de couro impermeáveis não foram criadas até a década de 1980, a Swiss World Champion absorveu um pouco da chuva e foi ficando cada vez mais pesada durante a final, em Berna.

Era feita com 18 longas tiras de couro, unidas por fios de nylon e dispostas em fileiras de três painéis que contavam com bordas irregulares e continuam a ser usados como modelo pelos fabricantes de bolas.


Suécia 1958: Top Star

Para o torneio de 1958 na Suécia, a FIFA organizou um concurso para escolher a bola oficial da Copa do Mundo entre 102 bolas de futebol sem marca enviadas ao comitê organizador e ao presidente da FIFA, Stanley Rous.

Os nomes dos fabricantes foram colocados em envelopes fechados e numerados, que só foram abertos após o sorteio da Copa do Mundo. A vencedora foi a número 55 — a Top Star, disponível nas cores amarela, marrom-claro e branca.

A bola branca — com 24 tiras de couro e revestida de cera para não absorver a umidade — foi usada na maioria dos jogos, incluindo na final, quando o Brasil, com um jovem Pelé de apenas 17 anos, derrotou a Suécia. 

A Top Star era claramente favorecida pelo atacante francês Just Fontaine, que marcou nada menos do que 13 gols em seis jogos — recorde que se mantém até hoje.


Chile 1962: Mr Crack

Fabricada com 18 tiras de couro, a Mr Crack tinha painéis mais arredondados do que suas antecessoras, o que a fazia parecer mais esférica. Foi também a primeira bola da Copa do Mundo com uma válvula de látex, o que garantia que mantivesse sua forma por mais tempo, já que murchava mais lentamente.

Quando a adidas começou a fabricar bolas de futebol, em 1963, uma das suas primeiras foi batizada de Santiago, em homenagem à bola do torneio, e se baseou no design da Mr Crack.

Porém, a bola oficial do Chile 1962 tinha problemas de absorção de água e várias seleções europeias preferiram usar bolas alternativas — incluindo a Top Star de 1958, escolhida para as quartas de final entre Tchecoslováquia e Hungria.


Inglaterra 1966: Challenge 4-Star

Antes do torneio de 1966, mais de cem bolas sem marca foram enviadas à Federação Inglesa de Futebol, onde um grupo de especialistas testou a circunferência, a esfericidade, o peso, a perda de pressão e a distância da quicada de cada uma.

Fabricada pela Slazenger, uma empresa britânica conhecida por seus equipamentos de tênis e golfe, a Challenge 4-Star saiu vitoriosa. A bola contava com 25 painéis e estava disponível em branco, amarelo e laranja.

A versão branca foi usada com mais frequência, mas foi a bola laranja que se tornou sinônimo do torneio por ter sido usada na final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, vencida pelos donos da casa na prorrogação por 4 a 2, com três gols de Geoff Hurst.


México 1970: Telstar

A Copa do Mundo 1970 foi um divisor de águas e a adidas foi nomeada a fornecedora oficial das bolas, em parceria que continua até hoje. 

Fundada por Adi Dassler, ex-responsável pelos uniformes da seleção da Alemanha Ocidental, a adidas estreou em Mundiais apresentando a emblemática Telstar, que contava com 32 painéis — 12 pentágonos pretos e 20 hexágonos brancos —, um design que, desde então, é usado regularmente para representar uma bola de futebol em todo o mundo.

A bola recebeu o nome do satélite de comunicações responsável pelas primeiras transmissões de TV internacionais ao vivo ― incluindo o torneio no México, vencido de forma inesquecível pelo Brasil ―, que tinha painéis solares escuros sobre um fundo branco.

A Telstar também estava disponível nas cores laranja e branca. Porém, os exemplares usados nos jogos na América do Norte não tinham o nome da bola nem o logotipo da adidas.


Alemanha Ocidental 1974: Telstar Durlast

As bolas Telstar de 1970 e 1974 tinham um revestimento de plástico Durlast, que as tornava resistentes à água e à lama. A última, que seguiu o emblemático design da sua antecessora, adicionou esse elemento ao seu nome.

A adidas forneceu duas bolas para o torneio na Alemanha Ocidental: a Chile Durlast, branca, ideal para jogos iluminados por refletores, e a Apollo Durlast, laranja, com melhor visibilidade na neve. Porém, apenas a versão branca foi utilizada. 

Em uma mudança em relação às duas Copas do Mundo anteriores, os jogos foram disputados com bolas que exibiam marcas comerciais, exibindo o nome oficial, o fabricante e as palavras “Official World Cup 1974” (“oficial da Copa do Mundo 1974”). 


Argentina 1978: Tango Durlast

Batizada em homenagem à dança mundialmente famosa originária da Argentina no século 19, a Tango introduziu as chamativas tríades curvas para o público mundial ― um marco do design que foi replicado nas cinco edições da Copa do Mundo que se seguiram.

Fabricada na França e costurada à mão, a Tango contava com o revestimento Durlast, impermeável, que já havia aparecido nas bolas Telstar de 1970 e 1974.

Ela demonstrou ser um acerto para o país-sede, já que a Argentina ergueu o troféu com uma vitória por 3 a 1 sobre os Países Baixos, com dois gols na prorrogação.


Espanha 1982: Tango España

Seguindo o sucesso do design de quatro anos antes, a adidas fez pequenas modificações na bola e a rebatizou como Tango España.

Novamente apresentando 20 tríades pretas em painéis hexagonais, em que cada triângulo se combinava para formar 12 círculos, a Tango España marcou o adeus do revestimento Durlast dos anos 70, já que era coberta em poliuretano, com uma camada extra para as costuras.

Trinta anos mais tarde, a bola oficial da Eurocopa da UEFA de 2012, na Polônia e na Ucrânia, recebeu o nome de Tango 12, em homenagem à pioneira bola da Copa do Mundo 1982.


México 1986: Azteca

Batizada em homenagem aos astecas, que viviam na região entre os séculos 14 e 16, a Azteca seguiu o formato da Tango Durlast e da Tango España.

O design das tríades mudou ligeiramente, para fazer referência à arquitetura e aos murais típicos dos astecas e do México. 

A Azteca também marcou outra novidade na Copa do Mundo, já que foi inteiramente feita em material sintético, que garantia uma absorção mínima de água e tornava mais durável a bola fabricada na França.


Itália 1990: Etrusco Unico

Batizada em referência ao povo etrusco, que viveu no centro e no norte da Itália entre os anos 800 e 100 a.C., a Etrusco Unico deu continuidade à tradição do design criado pela adidas, iniciada em 1982. 

Cada uma das tríades da bola era adornada com as cabeças de três leões com as bocas abertas. Era uma imagem comum na cultura etrusca, encontrada em muitas esculturas de pedra e ornamentos.

Depois do seu sucesso na Itália, a Etrusco Unico voltou a protagonizar uma competição entre seleções dois anos depois, como bola oficial da Eurocopa da UEFA de 1992, na Suécia, e dos Jogos Olímpicos de Barcelona no mesmo ano.


EUA 1994: Questra

Inspiradas na exploração espacial do país-sede, os EUA, as tríades da Questra foram decoradas com planetas, estrelas e foguetes.

A bola fabricada pela adidas seguiu o formato familiar para os torcedores do futebol mundial, usado entre 1970 e 2002, com 12 painéis pentagonais e 20 hexagonais.

A aventura dos EUA na Copa do Mundo chegou ao fim nas oitavas de final, quando foram derrotados por 1 a 0 pelo Brasil, futuro tetracampeão naquele torneio após uma vitória tensa sobre a Itália nos pênaltis.


França 1998: Tricolore

A Tricolore representou um marco para a adidas, transformando a aparência das bolas que a empresa criou para a Copa do Mundo. Foi a primeira a ser multicolorida e a contar com espuma sintática.

Seguindo as principais características do design dos exemplares anteriores, a Tricolore tinha tríades em azul, branco e vermelho, e seu nome era uma referência à bandeira da França, que ostenta as mesmas cores. Cada tríade apresentava três galos ― o símbolo nacional francês ― estilizados, cuja a crista vermelha representava o logotipo da adidas.

A camada de espuma sintática que revestia a Tricolore era feita de microbolas duráveis preenchidas com gás, que serviam como complemento para aumentar a velocidade e o “retorno de energia” da bola e ainda são usadas até hoje.


Coreia/Japão 2002: Fevernova

A Copa do Mundo 2002 marcou uma ruptura com a tradição, já que as tríades das cinco bolas anteriores foram substituídas por quatro trígonos, embora os familiares painéis hexagonais e pentagonais tenham permanecido.

O nome da Fevernova, que era costurada à mão, veio da combinação das palavras “fever” (“febre”) e “supernova”. A bola contava com uma camada melhorada de espuma sintática, que proporcionava um amortecimento extra e favorecia maior controle e precisão. 

Os trígonos que adornavam a bola eram uma representação das turbinas eólicas e prestigiavam as fontes de energia alternativas.


Alemanha 2006: Teamgeist

A Teamgeist — palavra alemã que significa “espírito de equipe” — foi mais um passo significativo na evolução do futebol. Sua nova estrutura fazia com que a bola ficasse a menos de 1 % de ser uma esfera perfeita.

Deixando para trás os painéis hexagonais e pentagonais dos oito torneios anteriores, a Teamgeist tinha 14 painéis projetados para se assemelharem a hélices e unidos termicamente, em vez costurados.

O preto e branco da Teamgeist representava as cores tradicionais da seleção da Alemanha, e as linhas douradas criavam uma conexão visual com a taça da Copa do Mundo. 

Uma versão especial dourada, a Teamgeist Berlin, foi fabricada pela adidas para a final. Pela primeira vez na Copa do Mundo, cada bola trazia os nomes das duas seleções em campo, o estádio, a cidade, a data e a hora do início da partida.


África do Sul 2010: Jabulani

A Jabulani — que significa “comemorar” em zulu — foi adornada com 11 cores diferentes, para simbolizar o número de jogadores de um time de futebol, de línguas oficiais da África do Sul e de cidades-sede definidas originalmente para receber a primeira Copa do Mundo no continente africano.

Composta por oito painéis 3D unidos termicamente e moldados em uma esfera perfeita, a Jabulani contava com uma textura “grip ‘n groove”, criada para permitir uma aderência perfeita e o máximo controle em todas as condições climáticas.

A bola oficial da final foi uma edição especial dourada chamada de Jo’bulani, em homenagem à capital do país-sede, Joanesburgo.


Brasil 2014: Brazuca

A Brazuca passou por um processo de testes mais rigoroso do que qualquer outra bola da Copa do Mundo antes dela — mais de 600 jogadores profissionais, 30 equipes de cientistas e os testes laboratoriais obrigatórios avaliaram sua qualidade.

Com seis painéis idênticos em forma de hélice, a estrutura superficial e a simetria inovadoras da Brazuca foram concebidas para proporcionar maior qualidade aerodinâmica, estabilidade, toque e aderência.

Mais de um milhão de pessoas votaram no nome da bola, e “Brazuca”, como os brasileiros se identificam a si mesmos quando mostram orgulho de sua maneira de ser, foi o preferido. As linhas coloridas e rodopiantes nos painéis representam as tradicionais fitas do Senhor do Bonfim. 

Assim como para os dois torneios anteriores, a adidas criou uma edição especial com linhas curvas douradas para a decisão: a Brazuca Final Rio.


Rússia 2018: Telstar 18

A Telstar 18 olhava simultaneamente para o futuro e para o passado, exibindo um design que homenageava a icônica primeira bola da adidas para a Copa do Mundo, de quase 50 anos antes, com um motivo pixelado que procurava simular a aparência da original de 1970 enquanto girava.

O elemento futurista veio com a introdução de um chip de NFC (“near-field communication” ou comunicação por campo de proximidade) incorporado, que permitia aos torcedores interagir com a bola usando seus telefones inteligentes.

Fabricada com partir de seis painéis texturizados e perfeitamente colados, em vez de costurados, a Telstar 18 oferecia precisão com um desempenho suave e uniforme e uma baixa absorção da água.

A Telstar 18 foi usado durante toda a fase de grupos, enquanto a Telstar Mechta, com detalhes em vermelho, a substituiu nos mata-matas. Mechta significa “sonho” ou “ambição” em russo.


Qatar 2022: Al Rihla

A Al Rihla, a 14ª bola criada pela adidas para a Copa do Mundo, era mais rápida no ar do que qualquer outra na história do torneio. Suas cores ousadas e vibrantes se inspiravam na cultura, na arquitetura, nos barcos e na bandeira do Catar, enquanto seu nome significa “a jornada” em árabe.

A Al Rihla contou com a inédita tecnologia “Connected Ball” (“bola conectada”) da adidas, inestimável para ajudar os árbitros a tomar decisões mais rápidas e precisas durante o torneio, principalmente em relação aos impedimentos mais difíceis de serem detectados.

Com um núcleo com CRT que proporcionava velocidade e consistência para jogadas rápidas, e um revestimento de poliuretano Speedshell com 20 painéis para melhorar a precisão, a estabilidade no ar e as curvas, a Al Rihla contribuiu para criar uma das Copas do Mundo mais inesquecíveis até hoje.

Para as semifinais e a final, a adidas apresentou a Al Hilm — “o sonho” —, com sua base dourada texturizada e um sutil desenho triangular, inspirado nos desertos que cercam Doha, na cor do troféu da Copa do Mundo e nas formas presentes na bandeira do Catar.

Fonte: FIFA

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