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Por que os carros elétricos podem causar enjoo e como evitar o mal-estar

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Os carros elétricos prometem viagens mais suaves e ecologicamente corretas, mas têm provocado um efeito colateral inesperado para alguns passageiros: o aumento das náuseas. Diferentemente dos veículos a combustão, os modelos eletrificados entregam aceleração instantânea, realizam frenagens regenerativas constantes e não emitem ruídos mecânicos. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), a falta dessas referências sonoras e vibratórias impede que o corpo antecipe as mudanças de velocidade, intensificando a cinetose, condição popularmente conhecida como enjoo de movimento.

O desconforto é o resultado direto de um conflito sensorial no organismo. A cinetose ocorre quando o ouvido interno — responsável pelo equilíbrio — percebe que o carro está em movimento, mas os olhos não acompanham esse deslocamento. Com essa contradição, o cérebro “se confunde” e reage liberando substâncias que causam tontura, suor frio, palidez e náusea. Uma das teorias médicas mais aceitas sugere que o corpo humano interpreta essa desorientação como um sinal de intoxicação, utilizando o vômito como uma reação primitiva de defesa.

Esse desencontro de informações agrava-se drasticamente com o uso de celulares e tablets, considerado o maior gatilho para as crises de mal-estar nos veículos modernos. A situação é ainda mais delicada para as crianças entre dois e 12 anos. Como o sistema vestibular infantil ainda está em desenvolvimento e o campo de visão dos pequenos costuma ser limitado no banco de trás, a dificuldade de olhar para o horizonte faz deles o grupo mais vulnerável a esses sintomas.

Felizmente, é possível contornar a situação adotando novos hábitos ao viajar. A principal recomendação médica é evitar a leitura ou o uso de telas com o veículo em movimento, preferindo sempre fixar o olhar na estrada. Outras medidas incluem viajar no banco dianteiro, manter a cabine bem ventilada, evitar refeições pesadas antes de sair e fazer pausas em trajetos longos. Além disso, a colaboração de quem está ao volante é essencial: uma condução mais suave, sem acelerações ou desacelerações bruscas, reduz bastante o impacto no sistema de equilíbrio.

A tecnologia também já começa a oferecer soluções paliativas para os passageiros mais conectados. Novos recursos em smartphones, como o “Indícios de Movimento do Veículo” da Apple, adicionam pontos animados nas bordas da tela que acompanham a movimentação do carro, ajudando a sincronizar o que os olhos veem com o que o corpo sente. Em suma, os carros elétricos não causam enjoo por si só, mas suas características peculiares exigem que o cérebro humano passe por um período de adaptação e que os ocupantes ajustem seus costumes a bordo.

Fonte: Auto Esporte

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