O futebol tem um costume curioso: ele muda de humor na velocidade de um passe. Em um momento, o torcedor decreta o fim de um ciclo. Minutos depois, canta que o Brasil voltou.
O primeiro tempo foi daqueles que alimentam as críticas. Um time sem intensidade, previsível e distante da grandeza que a camisa amarela representa. Parecia faltar mais do que organização tática; faltava confiança.
Mas seleções campeãs não vivem apenas de talento. Vivem da capacidade de reagir.
Na volta do intervalo, o Brasil mostrou outra postura. A equipe passou a acreditar mais no jogo, acelerou as ações e encontrou caminhos que não existiam antes. O que parecia uma tarde de frustração transformou-se em uma demonstração de personalidade.
Muito se fala sobre Ancelotti, sobre Neymar e sobre quem deve ou não ser titular. O futebol moderno adora eleger culpados antes do apito final. Só que grandes treinadores também vencem pelas decisões que tomam durante a partida. Às vezes, uma troca muda o ambiente, devolve confiança e faz um grupo inteiro crescer.
O Brasil ainda está longe da perfeição. Há ajustes, há desafios e há adversários mais difíceis pela frente. Mas uma seleção que aprende a sofrer, reage sob pressão e encontra forças para decidir nos momentos importantes sempre merece respeito.
No fim, ficou a maior lição do futebol: camisa pesa, tradição inspira, mas o que realmente decide campeonatos é a capacidade de não desistir quando o jogo parece escapar.
Domingo haverá um novo desafio. E, se o Brasil repetir a atitude do segundo tempo, terá motivos para continuar sonhando. Afinal, as cinco estrelas no peito não garantem vitórias, mas lembram que esta camisa foi feita para enfrentar os momentos difíceis.

