O Brasil poderá enfrentar um cenário de calor extremo nos próximos meses em razão da chegada do El Niño. Um alerta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), encaminhado à Casa Civil por meio de nota técnica, aponta para o risco de um “desastre térmico”, com efeitos mais intensos no Sudeste e no Centro-Oeste do país.
O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O processo ocorre de forma cíclica, geralmente a cada dois a sete anos, e costuma durar entre nove e doze meses. Com o aumento da temperatura global, especialistas alertam que seus impactos tendem a ser ainda mais severos.
Segundo o Cemaden, o fenômeno deve reduzir o volume de chuvas na Região Norte e aumentar as precipitações no Sul. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, a expectativa é de ondas de calor mais frequentes, acompanhadas por baixos índices de umidade. A projeção é de que 2026 possa superar 2024 como o ano mais quente já registrado.
Os reflexos também devem atingir o setor agropecuário. Especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV) estimam que um El Niño de forte intensidade poderá reduzir entre 7% e 10% a produção de culturas como soja, milho, café e laranja, afetando principalmente pequenos e médios produtores, que possuem menor capacidade de adaptação aos eventos climáticos extremos.
Diante das projeções, especialistas reforçam a necessidade de planejamento e medidas preventivas para reduzir os impactos sobre a população, a economia e a produção agrícola durante a atuação do fenômeno climático.
Fonte: Diário do Comércio

