Uma partícula de luz que viajou por mais de dois bilhões de anos-luz até chegar à Terra está intrigando os cientistas. O fóton, associado à explosão de raios gama GRB 221009A, registrada em 9 de outubro de 2022 e apelidada de “BOAT”, carregava cerca de 300 teraelétron-volts (TeV) de energia. O sinal foi detectado pelo instrumento Carpet, na Rússia.
O problema é que, segundo os modelos da física convencional, um fóton com tanta energia não deveria conseguir percorrer uma distância tão grande. Durante a viagem, ele deveria interagir com a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, uma espécie de “eco” do Big Bang, e ser convertido em outras partículas antes de alcançar a Terra.
Uma possível explicação foi apresentada por pesquisadores em um estudo que envolve as chamadas partículas semelhantes a áxions, ou ALPs. Essas partículas são hipotéticas e ainda não foram detectadas diretamente. A ideia é que o fóton possa ter se transformado temporariamente em uma ALP durante parte do percurso, evitando a interação que destruiria o fóton, e depois voltado à forma original antes de chegar à Terra.
Os pesquisadores também analisam a possibilidade de que, em energias extremamente altas, a chamada invariância de Lorentz — princípio fundamental relacionado à relatividade de Einstein — possa apresentar efeitos diferentes dos previstos. O modelo estudado prevê ainda uma diferença no tempo de chegada do fóton de alta energia em relação a outras partículas da explosão, algo que estaria de acordo com as observações.
A explicação, porém, ainda é uma hipótese. Para confirmar o fenômeno, será necessário observar outros eventos semelhantes e verificar se o mesmo comportamento se repete. Caso isso aconteça, a descoberta poderá oferecer novas pistas sobre partículas ainda desconhecidas e sobre o comportamento da física em energias extremas.
Fonte: Olhar Digital

