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Um Tapa e um Beijo: o Modus Operandi da Esquerda

Imagem gerada por IA/ RCC News

Política de Duas Faces em Contraste

Por Amanda Tonon

Durante anos de governo petista, quem ousou fazer oposição foi chamado de tudo quanto é nome. Fascista, gado, extremista, genocida e, para os cristãos, o já clássico “crente imundo”, tudo isso vindo de quem estampa a liberdade religiosa em faixa de passeata. Até que veio a campanha e, num passe de mágica, os mesmos que distribuíam ofensas passaram a distribuir sorrisos, pregando diálogo, união e (pasmem!) amor. E pedindo voto, veja só, justamente àqueles que passaram anos xingando.

É o velho tapa e beijo: primeiro anos de bofetada, depois o afago, como se nada tivesse acontecido. Pois bem, a eleição passou, os santinhos sumiram das calçadas e a poeira baixou. Mas a memória, ao contrário dos santinhos, não se varre com a vassoura do gari. Nós não esquecemos.

E não estou falando apenas da direita. Qualquer um que ouse discordar da cartilha progressista, seja o liberal, o conservador, o religioso ou até mesmo o esquerdista arrependido, recebe imediatamente o carimbo de extremista. Não há meio-termo: ou você concorda, ou é uma ameaça à democracia.

Existe uma frase, costumeiramente atribuída a Lenin (embora ninguém nunca tenha encontrado onde ele a teria dito), que resume bem o método: “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”. Seja de quem for a autoria, a esquerda brasileira a pratica com uma disciplina invejável.

Fala-se em defesa da democracia, mas o atual presidente, em 2023, ao comentar a situação da Venezuela, afirmou que o conceito de democracia é “relativo”. Fala-se em combate ao discurso de ódio, mas o adversário pode ser chamado de genocida e coisa pior sem que ninguém se escandalize. Fala-se em liberdade de expressão, mas defende-se a regulação das redes sociais, com o Estado decidindo o que você pode ou não dizer. Fala-se, por fim, em amor, mas cultiva-se há décadas o “nós contra eles”, com o cuidado de quem rega uma planta.

Na psicologia, o nome disso é projeção: atribuir ao outro aquilo que não se admite em si mesmo. Na política, o nome é estratégia. Quem acusa primeiro dita os termos do debate, e o acusado passa o resto do tempo se defendendo, em vez de questionar o acusador. Afinal, é muito mais fácil apontar o fascismo alheio do que explicar a amizade com ditadores.

E veja bem, não se trata de dizer que do lado de cá só existem santos. Há exageros, ofensas e gente indefensável em todo o espectro político. A diferença é que a esquerda transformou a ofensa em método, e o método em virtude. Quando eles xingam, é resistência. Quando você discorda, é ódio.

O beijo, depois do tapa, também faz parte do roteiro. Na campanha, veio o discurso da pacificação, da reconstrução, do “Brasil de todos”. Bonito, não fosse o fato de que essa paz exige uma única coisa de você: o seu silêncio. Pacificar, no dicionário deles, significa você parar de reclamar.

Estamos condenados a esse ciclo? Não necessariamente. O primeiro passo é perceber o jogo. O segundo é não aceitar o rótulo. Quem sabe o que defende, e por que defende, não precisa pedir desculpas por existir, por rezar ou por votar como bem entende.

Diz o ditado que quem bate esquece, mas quem apanha, não. Pois que não esqueçamos. E que, da próxima vez que alguém vier nos falar de amor com a mão ainda quente do tapa, saibamos diferenciar um beijo de uma armadilha.

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