Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizaram manifestações neste domingo (3) em várias cidades brasileiras. Os atos pediram anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, criticaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e atacaram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A principal mobilização ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, com a presença de lideranças políticas e religiosas da direita.
Mesmo impedido de comparecer presencialmente por medidas cautelares impostas por Moraes, Bolsonaro acompanhou os protestos de Brasília e agradeceu o apoio em mensagem por lista de transmissão: “Obrigado a todos, pela nossa liberdade”. Ele está proibido de sair da capital federal nos fins de semana e de usar redes sociais desde 18 de julho.
As manifestações também foram impulsionadas pelas sanções recentes dos Estados Unidos contra Moraes, sob a Lei Magnitsky. A decisão animou a base bolsonarista, que vê na atuação internacional do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) uma forma de pressionar o STF. Cartazes com apoio a Donald Trump e críticas ao Judiciário foram comuns, assim como pedidos de impeachment do ministro e de aprovação de um projeto de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado como possível sucessor de Bolsonaro em 2026, não participou do evento por motivos de saúde. Já o prefeito Ricardo Nunes (MDB) esteve presente, ao lado de nomes como o pastor Silas Malafaia, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Nikolas anunciou que protocolará nesta semana o 30º pedido de impeachment de Moraes e cobrou ação da Câmara para votar a proposta de anistia.
Sob o slogan “Reaja, Brasil”, os atos seguiram uma estratégia descentralizada, com parlamentares liderando manifestações em suas bases eleitorais. Além de São Paulo, houve protestos em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia e Belém, onde esteve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Nas redes sociais, lideranças bolsonaristas mobilizaram a militância com frases como “Brasil acima do STF” e “Brasil com Bolsonaro”. Organizadores celebraram a adesão, enquanto figuras como o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) ironizaram levantamentos da USP que apontaram queda de público em protestos anteriores. “Uma tal da USP não sabe contar brasileiros”, disse. Marco Feliciano (PL-SP) também provocou: “Vão dizer que flopou. Flopou aonde?”.
Apesar da mobilização, analistas apontam que as principais pautas dos protestos a anistia e o impeachment de Moraes têm baixa chance de avançar no Congresso, que resiste a essas iniciativas. Ainda assim, os atos demonstraram que a base bolsonarista segue ativa e articulada no cenário político.
Fonte: Jovem Pan