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Por que a Igreja Católica é chamada de Apostólica e por que igrejas evangélicas não usam o termo

Apostolicidade remete à origem da fé cristã nos apóstolos, mas seu uso como título institucional revela diferenças profundas entre católicos...

Reprodução: Google Maps
Reprodução: Google Maps

Apostolicidade remete à origem da fé cristã nos apóstolos, mas seu uso como título institucional revela diferenças profundas entre católicos e evangélicos.

A Igreja Católica se autodenomina oficialmente “Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”. Essas quatro características, conhecidas como “notas da Igreja”, foram definidas no Credo Niceno-Constantinopolitano, formulado no século IV. A expressão “apostólica”, nesse contexto, tem um significado teológico e histórico: indica que a Igreja foi fundada sobre os apóstolos e preserva, por meio da sucessão apostólica, a autoridade e a doutrina que remonta diretamente a Jesus Cristo.

A sucessão apostólica é a ideia de que os bispos e, em especial, o papa, considerado sucessor de Pedro — mantêm uma linha ininterrupta de ordenação desde os apóstolos. Esse princípio é central para a Igreja Católica, assim como para as igrejas Ortodoxa e Anglicana, que também se consideram “apostólicas”. A autoridade eclesiástica nessas tradições está, portanto, enraizada em uma estrutura hierárquica e sacramental que remonta aos primeiros seguidores de Cristo.

Por outro lado, a maioria das igrejas evangélicas evita o uso do termo “apostólica” institucionalmente, embora reconheça a importância dos apóstolos na fundação da fé cristã. Isso ocorre por várias razões. Primeiramente, muitas denominações evangélicas rejeitam a noção de sucessão apostólica como autoridade e preferem a “suficiência das Escrituras” (Sola Scriptura), valorizando a Bíblia como única fonte legítima de doutrina.

Além disso, os evangélicos enfatizam a relação direta e pessoal com Deus por meio de Jesus Cristo, e muitas de suas igrejas são organizadas de forma mais descentralizada, com liderança baseada em pastores eleitos ou reconhecidos por suas comunidades, sem uma estrutura de bispado ou linhagem eclesiástica formal.

Existem, no entanto, igrejas evangélicas que adotam o nome “apostólica” no título, como algumas congregações pentecostais chamadas “Igreja Apostólica” ou “Missão Apostólica”. Nestes casos, o termo costuma estar mais ligado à busca por um retorno à igreja primitiva, vivida no tempo dos apóstolos, do que à sucessão formal de autoridade.

Em resumo, a terminologia “apostólica” revela mais do que uma herança histórica: ela reflete visões distintas sobre autoridade espiritual, estrutura e a própria natureza da Igreja. Para católicos e ortodoxos, é um pilar da identidade; para a maioria dos evangélicos, é um conceito reverenciado, mas não adotado institucionalmente.

Fonte: Vatican/ New Advent