Saúde

Novo exame de sangue detecta doenças genéticas em fetos sem uso de agulhas

Cientistas apresentaram na conferência da Sociedade Europeia de Genética Humana, na Suécia, um inovador exame de sangue materno capaz de...

Reprodução: Pixabay
Reprodução: Pixabay

Cientistas apresentaram na conferência da Sociedade Europeia de Genética Humana, na Suécia, um inovador exame de sangue materno capaz de detectar milhares de condições genéticas graves em fetos sem a necessidade de procedimentos invasivos. Chamada de NIFS (Sequenciamento Fetal Não Invasivo), a técnica rastreia fragmentos de DNA do bebê que circulam na corrente sanguínea da gestante, oferecendo uma alternativa altamente segura e moderna.

Realizado, em média, na 17ª semana de gestação, o exame utiliza métodos computacionais avançados para analisar quase 23 mil genes. Durante um estudo realizado com 565 gestações, a nova tecnologia identificou entre 95% e 99% das variantes genéticas normalmente encontradas por métodos tradicionais, além de apontar mais de 97% das alterações clinicamente relevantes.

O teste cobre um amplo painel de anomalias, conseguindo diagnosticar doenças raras como a fibrose cística, acondroplasia e as síndromes de Noonan e Charge. O principal atrativo do NIFS é a eliminação do risco de aborto espontâneo — que atualmente é de cerca de 1 a cada 200 casos em procedimentos com agulhas, como a amniocentese —, um fator que frequentemente afasta as gestantes e gera muito estresse e gastos financeiros.

Apesar de a novidade ser descrita por pesquisadores como um “feito extraordinário” por abrir portas para intervenções e tratamentos imediatos, especialistas fazem ressalvas. Geneticistas clínicos alertam para o perigo de a tecnologia ser utilizada de forma banalizada, como uma ferramenta de triagem puramente exploratória, sem que haja um histórico ou problema de saúde específico sendo previamente investigado.

A principal preocupação ética e médica é que a alta sensibilidade do exame acabe revelando genes com significados ainda incertos para a ciência. Ao buscar respostas que não foram pedidas, o teste tem o potencial de gerar ansiedade generalizada nas famílias e inserir bebês em rotinas de vigilância médica completamente desnecessárias, criando problemas antes mesmo do nascimento.

Fonte: Olhar Digital