Entidades e ativistas da causa animal se reuniram neste domingo (14) em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, para protestar contra a exportação de animais vivos. A manifestação integra um movimento nacional que busca alertar a sociedade sobre os graves impactos ambientais, sanitários e econômicos associados à prática, além de denunciar os riscos à saúde e ao bem-estar do gado devido ao confinamento prolongado e à superlotação.
De acordo com Patrícia Aguiar, integrante do Movimento Nacional pelo Fim das Exportações de Animais Vivos, o objetivo da mobilização não é prejudicar o agronegócio, mas sim erradicar a crueldade. Ela defende que, em vez de submeter o gado a viagens tortuosas até o Oriente Médio, onde ocorre o abate, o setor deveria priorizar a exportação de carne congelada. Segundo a ativista, o transporte de carga viva expõe os animais a maus-tratos desde a saída das fazendas.
Durante os trajetos, as condições são descritas como violentas e insalubres. Os bovinos viajam em caminhões fechados por até seis dias, em pé sobre pisos escorregadios cobertos pelas próprias fezes e urina, e expostos a altos níveis de amônia. Aguiar relata que muitos chegam aos portos com fraturas nas patas e, mesmo feridos, são obrigados a embarcar em navios antigos que chegam a transportar até 24 mil bois de uma só vez.
Além de classificar a prática como antiética e inconstitucional por ferir as leis de proteção animal, o movimento alerta para os riscos ambientais. A ativista destacou o perigo atrelado a essa logística relembrando o trágico naufrágio ocorrido no Pará, em 2015, quando uma embarcação afundou levando 5 mil bois a bordo.
Como solução definitiva, os manifestantes cobram agilidade do Congresso Nacional na aprovação de medidas restritivas. Atualmente, cinco projetos de lei que buscam proibir ou taxar fortemente a importação e exportação de animais vivos estão travados no parlamento. A principal esperança do movimento é o avanço do Projeto de Lei 3093/2021, em tramitação no Senado, que pede a proibição total desse tipo de comércio no país.
Fonte: Agência Brasil