Saúde Tecnologia

Games e neurociência: como os jogos eletrônicos afetam o cérebro humano

Pesquisas revelam que videogames podem estimular memória, atenção e habilidades cognitivas, mas também oferecem riscos quando usados em excesso Os...

Pesquisas revelam que videogames podem estimular memória, atenção e habilidades cognitivas, mas também oferecem riscos quando usados em excesso

Os videogames há muito tempo deixaram de ser vistos apenas como passatempo. Nos últimos anos, estudos da neurociência vêm investigando de que forma os jogos eletrônicos impactam o cérebro humano — e os resultados indicam que essas experiências digitais podem tanto estimular capacidades mentais quanto provocar efeitos prejudiciais à saúde mental, dependendo da intensidade e da forma como são utilizados.

Entre os benefícios, os pesquisadores destacam a capacidade dos games de aprimorar a neuroplasticidade — ou seja, a habilidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões neurais. Jogos que exigem raciocínio, estratégia e reflexos rápidos ativam áreas responsáveis pela atenção, memória de trabalho e controle executivo. Algumas pesquisas em ressonância magnética funcional, inclusive, já mostraram maior conectividade nessas regiões em jogadores frequentes.

Além disso, estudos apontam que pessoas que jogam mais de cinco horas por semana tendem a apresentar desempenho cognitivo até 14 anos superior ao de não jogadores da mesma faixa etária. Jogos como Portal, NeuroRacer e outros de estratégia e raciocínio rápido são frequentemente utilizados em testes que avaliam ganho de atenção sustentada, percepção visual, memória e pensamento lógico.

Outro ponto relevante é a aplicação dos games como recurso terapêutico. Jogos desenvolvidos especificamente para fins clínicos, como NeuroRacer, mostraram eficácia em melhorar a memória e a capacidade de concentração em idosos. No Brasil, estudos vêm combinando videogames com atividades físicas para atenuar sintomas leves de demência, sinalizando que essas ferramentas podem colaborar no tratamento de doenças neurológicas.

Por outro lado, os jogos eletrônicos também trazem riscos quando usados de forma excessiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o chamado “transtorno de jogo”, caracterizado pela perda de controle sobre o tempo de uso, prioridade excessiva dada aos games em detrimento de outras atividades e consequências negativas para a vida social, familiar e profissional. Em alguns casos, alterações cerebrais observadas em jogadores compulsivos lembram padrões encontrados em pessoas com dependência química.

Outro fator preocupante está ligado aos impactos sobre o sono. O uso prolongado de telas, principalmente durante a noite, está associado à dificuldade para adormecer, menor qualidade do sono e cansaço diurno — efeitos mais evidentes entre adolescentes e jovens adultos, que compõem grande parte do público gamer.

Especialistas afirmam que, como qualquer ferramenta, os jogos podem ser positivos ou nocivos, dependendo de como são utilizados. O segredo, segundo os pesquisadores, está no equilíbrio. Jogar pode sim estimular habilidades mentais, melhorar a memória e promover ganhos cognitivos, desde que praticado com moderação e associado a uma rotina equilibrada, com atividades físicas, convívio social e períodos de descanso longe das telas.

Os neurocientistas também recomendam priorizar jogos que incentivem a resolução de problemas, o trabalho em equipe e o raciocínio estratégico, além de estabelecer pausas regulares durante as sessões de jogo. Para crianças e adolescentes, a orientação é limitar o tempo de tela, seguindo as recomendações da OMS e de sociedades médicas.

A conclusão da comunidade científica é clara: os videogames são, potencialmente, ferramentas poderosas para o cérebro, mas, como qualquer tecnologia, seu uso consciente faz toda a diferença entre os benefícios e os riscos.

Fonte: Tec Mundo