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Quarteto Fantástico entrega emoção e identidade, mas sofre com roteiro irregular

Longa acerta no tom e no visual, mas algumas decisões enfraquecem o impacto da narrativa. [“Atenção: este texto pode conter...

Divulgação: Marvel Studios
Divulgação: Marvel Studios

Longa acerta no tom e no visual, mas algumas decisões enfraquecem o impacto da narrativa.

[“Atenção: este texto pode conter spoilers.”]

“Quarteto Fantástico – Primeiros Passos” chega com a promessa de recomeçar a história da Primeira Família da Marvel no cinema com estilo, e nisso ele acerta em cheio. O visual do filme é, sem exagero, um dos mais marcantes do MCU. Com uma estética retrofuturista vibrante, que mistura referências dos anos 60 com tecnologia analógica estilizada, o longa cria um universo único e fascinante. O Centro Baxter é visualmente impecável, os poderes dos personagens são explorados com criatividade, e as cenas envolvendo o Surfista Prateada e Galactus têm um peso visual e simbólico que finalmente faz justiça a esses ícones.

Reprodução: Marvel Studios

O grande trunfo do filme, no entanto, está na dinâmica familiar. A relação entre Reed, Sue, Johnny e Ben é construída com afeto, humor e conflitos reais. O roteiro, mesmo com falhas, consegue estabelecer vínculos emocionais que aproximam o público dos personagens. Há cenas tocantes no cotidiano da equipe como o cuidado com o pequeno Franklin ou os dilemas pessoais de Ben Grimm que dão profundidade a figuras muitas vezes reduzidas a efeitos especiais. A química entre os atores sustenta essas sequências com naturalidade e carisma.

Reprodução: Marvel Studios

Por outro lado, o roteiro derrapa ao tomar decisões narrativas que soam apressadas ou até ingênuas. Algumas situações envolvendo Reed Richards, por exemplo, beiram o ridículo pela forma como tratam sua genialidade. O desenvolvimento dos conflitos também é raso em certos momentos, resolvendo tensões complexas de maneira simplista. Galactus, embora imponente, funciona mais como um obstáculo visual do que como uma ameaça verdadeiramente dramática. O ritmo do filme oscila: enquanto o início é promissor e o clímax visualmente explosivo, o miolo sofre com cenas que não avançam a trama de forma significativa.

Mesmo assim, o saldo final é positivo. O filme pode até ser inconsistente, mas tem identidade, algo raro nas fases recentes do MCU. A escolha de não recontar a origem dos personagens e começar com o grupo já formado ajuda a acelerar o envolvimento do público, e o tom leve, por vezes melancólico, revela um cuidado em tratar os heróis como figuras humanas, não apenas superpoderosas.

“Quarteto Fantástico – Primeiros Passos” é belo, emotivo e cheio de boas intenções. Peca na execução de parte do roteiro, mas acerta em cheio no que realmente importa: o coração da família mais fantástica da Marvel.

Minha nota: 8,5.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos está em cartaz nos cinemas.