O Supremo Tribunal Federal (STF) pagou 128 dias de diárias para equipes de segurança que acompanharam autoridades da Corte em viagens a uma região no interior do Paraná onde fica o resort Tayayá, frequentado pelo ministro Dias Toffoli e que já pertenceu à sua família. Os pagamentos foram feitos em finais de semana, feriados e recessos entre 2022 e 2025.
Os registros das diárias constam no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) e mostram que os deslocamentos serviram para “apoio em segurança e transporte” de autoridades do STF para a cidade de Ribeirão Claro (PR), onde o resort está localizado. O tribunal, porém, não informa qual ministro foi atendido em cada ocasião.
Ao todo, o gasto com essas diárias foi de cerca de R$ 460 mil, incluindo viagens durante recesso do Judiciário, feriados e finais de semana prolongados. Grande parte dos deslocamentos ocorreu nos meses de férias forenses, como janeiro, julho e dezembro.
O resort Tayayá foi administrado por irmãos de Toffoli e parte dele foi vendida em 2021 a um fundo ligado à gestora Reag Investimentos; mesmo após a venda formal, Toffoli continuou frequentando o local. A proximidade entre o ministro e o local tem sido citada em reportagens que investigam possíveis conflitos de interesse, principalmente no contexto do caso Banco Master, no qual Toffoli é relator.
O episódio tem gerado desconforto interno no STF, com discussões sobre a condução de Toffoli em investigações sensíveis. O caso levantou questionamentos sobre a conduta e transparência do uso de recursos públicos para viagens ligadas a um local associado historicamente à família do ministro.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, emitiu uma nota pública defendendo a atuação do ministro Dias Toffoli no inquérito relacionado ao Banco Master, ressaltando que a Corte não se curva a “ameaças ou intimidações” e atua dentro do devido processo legal.
Fachin afirmou que a Corte constitucional brasileira se pauta pela Constituição, pelo contraditório e pela ampla defesa, e que a supervisão judicial de Toffoli no caso até o momento segue esses princípios. Ele também destacou o papel de outras instituições como Banco Central, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República nessas apurações.