Colunista Daniel Mattos Esportes

Planejamento não joga bola

O discurso publicado nas redes sociais do Maringá Futebol Clube, no domingo, pelo presidente João Victor Mazzer, é correto na...

Foto: Fernando Teramatsu/ Maringá FC
Foto: Fernando Teramatsu/ Maringá FC

O discurso publicado nas redes sociais do Maringá Futebol Clube, no domingo, pelo presidente João Victor Mazzer, é correto na forma, mas insuficiente no conteúdo. Reconhecer a frustração, falar em “imponderável” e reforçar que o clube investiu pesado soa mais como tentativa de explicar o fracasso do que, de fato, enfrentá-lo. Futebol até admite exceções, mas eliminações repetidas deixam de ser acidente e passam a ser sintoma.

O Maringá fez o quinto maior investimento do campeonato, mas terminou fora das quatro vagas. Isso, por si só, desmonta a tese de que o problema foi apenas o formato curto ou a falta de tempo para ajustes. O regulamento era o mesmo para todos. Londrina, citado pelos próprios torcedores, reformulou elenco, trocou peças e ainda assim lidera. A diferença não está no dinheiro investido, mas na qualidade das escolhas.

Planejamento não é planilha, é leitura de cenário, conhecimento de mercado, montagem coerente de elenco e, sobretudo, comando técnico alinhado com a realidade do torneio. Quando a torcida aponta o dedo para o diretor de futebol, não o faz por birra, mas por percepção: contratações que não responderam em campo e um time que nunca passou segurança.

A eliminação custa caro. Não apenas esportivamente, mas financeiramente. Ficar fora da Copa do Brasil de 2027 desmonta qualquer discurso de sustentabilidade e mostra que o “objetivo mínimo” não era tão mínimo assim. Era estratégico. E falhou.

Agora, o discurso muda de tom e vira sobrevivência. O Torneio da Morte passa a ser tratado como final de campeonato — e é mesmo. Cair significaria rebaixar não só o clube, mas todo o projeto SAF, obrigando o Maringá a conviver com um elenco híbrido, dividido entre Série C e Segundona estadual. Um pesadelo de gestão.

Cabeça erguida é importante, mas autocrítica é indispensável. Se tudo for tratado como exceção, o risco é transformar o erro em método. O Maringá precisa mais do que fé no “imponderável”: precisa rever decisões, corrigir rumos e entender que investimento sem conhecimento não constrói time competitivo — só inflaciona expectativas.

O campo, no fim, sempre dá a resposta. E ela foi dura.

Texto por Daniel Mattos