Colunista Diversão Murilo Lima

O novo Street Fighter é bom? Confira nossa opinião

A nova e ambiciosa adaptação em live-action de Street Fighter estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 15 de outubro de...

Divulgação: Legendary Pictures/ Capcom
Street Fighter

A nova e ambiciosa adaptação em live-action de Street Fighter estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, sob a tutela da Paramount Pictures e direção de Kitao Sakurai. Ambientado em uma nostálgica e saturada versão de 1993 — o auge do clássico game Street Fighter II —, o longa-metragem tenta quebrar a histórica “maldição” que assombra a franquia da Capcom nas telonas. O resultado, contudo, divide os espectadores em um combate onde o estilo atropela a substância.

Na trama, acompanhamos o icônico trio formado por Ken (Noah Centineo), Ryu (Andrew Koji) e Chun-Li (Callina Liang), que se vê arrastado para o World Warrior Tournament, um torneio global que serve de fachada para os planos de dominação mundial do vilão M. Bison (David Dastmalchian).

Opinião: Entre a Galhofa Estética e o Atropelo Narrativo

Assistir ao Street Fighter de 2026 evoca um sentimento misto de fascínio e frustração profunda. Por um lado, Kitao Sakurai acertou em cheio ao abraçar o tom de galhofa e o visual cartunesco, fugindo do erro comum de tentar trazer um realismo cinzento a um universo que nasceu para ser colorido e absurdo. As roupas cruzam com sucesso a linha perigosa do cosplay barato, os cenários homenageiam as fases clássicas com perfeição e a trilha sonora — embalada por bandas como The Offspring — reconstrói de forma enérgica a identidade dos anos 90.

Até mesmo os golpes clássicos e as transições que simulam flashbacks em animação 2D trazem um frescor saudosista brilhante, despontando como os melhores momentos da projeção. O elenco principal entrega-se fisicamente aos papéis — com destaque para a dedicação de Callina Liang e o carisma cômico de Centineo.

O grande nocaute técnico do filme, porém, acontece justamente onde ele jamais poderia falhar: as sequências de combate.

Ao optar por enfiar dezenas de participações especiais em pouco menos de duas horas de filme — incluindo rostos famosos como 50 Cent (Balrog), Cody Rhodes (Guile) e Jason Momoa (Blanka) —, o roteiro cria um congestionamento de personagens sem qualquer desenvolvimento. Para dar tempo de tela a tanta gente, as lutas centrais são diluídas.

Pior: a edição e a montagem do filme são excessivamente picotadas. No instante em que Ryu ou Ken engatam uma sequência coreográfica promissora, a câmera corta abruptamente para piadas incessantes de alívios cômicos ou subtramas paralelas desnecessárias. O desleixo na edição é tão evidente que momentos cruciais da luta final desaparecem em cortes bizarros de cena.

Em suma, Street Fighter (2026) tem o coração no lugar certo e respeita a mitologia do jogo de uma forma que o desastroso filme de 1994 jamais conseguiu. Entretanto, ao se preocupar mais em plantar ganchos para uma futura franquia e empilhar fan service, o longa se perde em transições confusas e piadas ininterruptas. É uma experiência divertida para os fãs nostálgicos no Omelete ou no G1, mas que deixa a nítida impressão de que a produção gastou toda a sua barra de especial no visual, esquecendo-se de desferir o golpe de misericórdia no roteiro. Quem sabe na próxima ficha.