Na última quinta-feira, embarquei em uma van com outros 15 jovens empresários de Maringá, integrantes do COPEJEM, com destino a Ponta Grossa. Nossa missão era conhecer a cozinha central do Grupo Madero. Mas, antes de chegar lá, tivemos uma aventura pela frente.
Saímos de Maringá às cinco da tarde, debaixo de uma chuva que nos acompanhou durante praticamente toda a viagem. Entre buracos na estrada, pouca visibilidade e alguns sustos, nosso motorista, o seu Zé, teve bastante trabalho. Como eu estava sentado ao lado dele, os amigos não perderam a oportunidade de brincar: “Lucas, fica esperto aí. Se acontecer alguma coisa, você assume o volante!”
Felizmente, chegamos bem. Depois de uma noite de descanso, acordamos cedo na sexta-feira para conhecer uma das operações industriais mais interessantes que já visitei.
Ao chegarmos ao Madero, fomos recebidos pela equipe, que apresentou a história da empresa e de seu fundador, Junior Durski. E aqui começa uma parte da história que merece atenção.
Antes de construir uma grande rede de restaurantes, Junior foi advogado, vereador e empresário do setor madeireiro em Rondônia. A gastronomia, que era uma paixão, virou negócio em 1999, com a abertura do Restaurante Durski, em Curitiba. O primeiro Madero viria apenas em 2005.
É interessante pensar que uma trajetória empresarial raramente é uma linha reta. Muitas vezes, aquilo que se tornará nosso maior projeto começa como um interesse pessoal, uma tentativa ou até uma mudança de direção.
Mas foi ao entrar na cozinha central que entendi melhor a dimensão daquilo que Junior construiu.
Antes de começarmos a visita, tivemos que vestir macacões, botas, luvas, máscaras e toucas. Todos de branco, completamente protegidos. Por alguns instantes, parecia que tínhamos voltado aos tempos da pandemia. Rimos bastante da situação, mas aquele protocolo já demonstrava algo importante: o cuidado com a segurança alimentar.
Lá dentro, aprendi uma maneira simples de compreender uma cozinha central. Imagine a cozinha da sua casa, só que em proporções gigantescas.
O armário é um enorme galpão de armazenamento. A geladeira e o freezer são ambientes refrigerados de dimensões impressionantes. E, no lugar de alguém procurando um ingrediente na prateleira, existem sistemas automatizados capazes de localizar e movimentar produtos armazenados em posições específicas.
Depois, conhecemos as áreas de produção de pães, massas e carnes.
E foi aí que algo realmente me surpreendeu.
Mesmo com toda a tecnologia e capacidade industrial, boa parte do trabalho preserva características artesanais. Vimos pessoas abrindo massas de pizza com as mãos, preparando os ingredientes e montando os produtos. Na produção de carnes, encontramos uma combinação de equipamentos industriais, receitas padronizadas e etapas manuais.
A minha impressão foi de que o Madero conseguiu fazer algo muito difícil: industrializar o processo sem perder a essência artesanal do produto.
Talvez esteja aí uma das explicações para o sucesso da marca.
Crescer é relativamente fácil quando comparado ao desafio de crescer mantendo um padrão. Afinal, preparar um bom hambúrguer é uma coisa. Conseguir entregar uma experiência semelhante em centenas de restaurantes, espalhados pelo Brasil, é outra completamente diferente.
Isso exige processos, treinamento, tecnologia, logística e, principalmente, uma cultura de atenção aos detalhes.
Outro ponto que me impressionou foi a limpeza. Em todas as áreas que conhecemos, era perceptível o rigor com a organização e a higiene. São cuidados que dificilmente aparecem para o consumidor, mas que fazem toda a diferença na construção de uma operação consistente.
E saí de lá pensando em algo que vale para qualquer empresário.


Muitas vezes, admiramos o crescimento de uma empresa olhando apenas para aquilo que está na frente do cliente: a marca, o produto, as lojas e as vendas. Mas existe um universo inteiro de decisões, processos e pessoas trabalhando nos bastidores para que tudo funcione.
A visita, organizada por meio do COPEJEM, reforçou em mim a importância de conhecer outras empresas e aprender com quem trilhou caminhos diferentes dos nossos.
Não importa se você administra uma hamburgueria, uma indústria, um escritório ou uma empresa de serviços. Em algum momento, o desafio será semelhante: como crescer sem perder aquilo que fez o seu negócio ser especial?
Voltei de Ponta Grossa admirado com a fábrica, mas ainda mais interessado na mentalidade empreendedora necessária para construir uma operação daquela dimensão.
Porque, no fim das contas, uma grande empresa não é construída apenas com uma boa ideia. Ela é construída pela capacidade de transformar essa ideia em algo que outras pessoas consigam executar, todos os dias, com o mesmo cuidado.
E talvez essa seja uma das maiores lições de empreendedorismo que podemos aprender dentro de uma fábrica de hambúrgueres.
Por Lucas Sardeti